
O útero não produz hormônios e tem a única função de engravidar. Muitas mulheres já sofrem com questões uterinas enquanto menstruam (sangramentos, dores) e quando chegam à menopausa, apesar de não menstruarem mais, o útero se torna um dificultador da terapia hormonal: um dos maiores riscos da reposição hormonal é para o útero (risco de hiperplasia e câncer de endométrio), além do efeito colateral de poder fazer a mulher voltar a menstruar (que a grande maioria não deseja, depois da menopausa).
Mulheres que já não tem útero não precisam usar progesterona, necessitando de menos hormônios e tendo menor risco para o câncer de mama. Portanto, não é necessário retirar o útero de todas as mulheres somente para a terapia hormonal (há opções de tratamento com progesterona oral, DIU Mirena etc). Mas, para mulheres que já sofriam com sangramentos, dores, endometriose, adenomiose, pólipo endometrial etc, pode ser discutida essa opção de tratamento definitivo.
Exceto em situações de úteros muito volumosos, a cirurgia de retirada do útero pode ser realizada de forma minimamente invasiva: por laparoscopia, com 3 pequenos furos de 5mm e um por dentro do umbigo, sem pontos. A internação é de apenas um dia e a recuperação muito rápida, permitindo voltar às rotina habitual (inclusive atividades físicas) em poucos dias.
E importante esclarecer: a retirada do útero não altera em nada a feminilidade! Embora algumas mulheres tenham um apego psicológico ao órgão, na prática, não há mudanças perceptíveis para a mulher. Em relação à sexualidade, o canal vaginal continua igual e não muda em nada a lubrificação, desejo ou orgasmo.
Na verdade, a maioria das mulheres tem melhoras na vida sexual depois da histerectomia, devido ao alívio de dores, sangramentos e medo de engravidar. Só é necessário aguardar o período de abstinência pós-operatória, que é em média 45 dias.
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