Dr. Igor Padovesi - Especialista em Obstretrícia e Ginecologia
YouTube Instagram Dr. Igor Padovesi
CLITOROPEXIA: pode causar dor e não trata corretamente o aumento do clitóris

CLITOROPEXIA: pode causar dor e não trata corretamente o aumento do clitóris


A clitoropexia pode aparecer como uma possibilidade para mulheres que buscam tratamento para o clitóris aumentado, também chamado de hipertrofia clitoriana. Mas existe uma diferença fundamental entre reposicionar o clitóris e realmente tratar o excesso de volume do órgão.

Na clitoropexia, o clitóris é reposicionado, na tentativa de ser escondido. Mas o problema é que ele continua hipertrofiado.

É justamente por isso que eu, Dr. Igor Padovesi, maior referência brasileira em cirurgias íntimas femininas e um dos raros cirurgiões com experiência específica em cirurgias de redução do clitóris, não recomendo essa técnica para o tratamento da hipertrofia clitoriana causada pelo uso de hormônios.


O que é a hipertrofia clitoriana?

A hipertrofia clitoriana é o aumento do volume do clitóris. Entre as situações em que essa alteração pode ocorrer está a exposição a hormônios androgênicos, como testosterona, gestrinona e oxandrolona, utilizados tanto em contextos de reposição hormonal quanto em estratégias voltadas ao ganho de massa magra e à melhora da composição corporal.

O clitóris pode responder à ação desses hormônios aumentando de tamanho. A magnitude desse aumento depende da sensibilidade individual, dos hormônios utilizados e das doses. A associação entre mais de um desses hormônios, como por exemplo a gestrinona e testosterona, é particularmente mais propensa a causar a hipertrofia do clitóris.

Para algumas mulheres, essa alteração pode provocar desconforto físico, incômodo com determinadas roupas, além do impacto na autoestima e constrangimento nas relações íntimas.

“Muitas pacientes chegam ao meu consultório acreditando que precisam simplesmente aceitar essa alteração como uma consequência do uso de hormônios. E, por falta de informação, muitas nem sabem que existe uma cirurgia específica para reduzir o tamanho do clitóris, que tem resultados excelentes sem nenhum prejuízo da função.”

Além disso, o aumento se torna ainda mais evidente durante a excitação sexual, muitas vezes tomando a forma de um pequeno órgão masculino.

Isso acontece porque o clitóris possui corpos cavernosos, estruturas que recebem maior fluxo sanguíneo durante o estímulo sexual e aumentam de volume.

E esse é um dos pontos centrais para entender por que clitoropexia e clitoroplastia não são a mesma cirurgia.


O que acontece na clitoropexia?

Na clitoropexia, o clitóris é simplesmente reposicionado, na tentativa de ser escondido.

Pexia é um termo que significa “fixação”. São aplicados pontos no corpo do clitóris para literalmente prendê-lo em planos mais profundos da vulva.

Essa técnica tenta diminuir sua projeção externa, mas não reduz o tecido responsável pela hipertrofia.

Ou seja: o clitóris continua aumentado de volume e sofrendo ereção.

E o problema disso é que a excitação faz o clitóris crescer e repuxar esses pontos, muitas vezes causando dor e desconforto.

Além disso, a maioria das mulheres com hipertrofia de clitóris é magra e tem baixo percentual de gordura corporal, então o resultado estético da tentativa de esconder o clitóris também fica insatisfatório.

Ou seja: tentar modificar a posição do órgão não corrige a raiz do problema que levou a paciente a procurar tratamento, e pode piorar o quadro.


O clitóris pode voltar à posição anterior?

Outro ponto que eu destaco é que a clitoropexia depende da fixação do clitóris em uma nova posição.

Ao serem tracionados durante a ereção, existe o risco de os pontos soltarem e o órgão retornar à posição anterior.

Assim, além de o tecido hipertrofiado permanecer, existe também a possibilidade de perda do resultado obtido com o reposicionamento.

Por esses motivos, apesar de a clitoropexia ser descrita como uma possibilidade cirúrgica para casos selecionados de discreta hipertrofia, eu definitivamente não recomendo o procedimento.


E qual é a diferença para a clitoroplastia?

A clitoroplastia tem outro objetivo.

Em vez de apenas reposicionar o órgão, a cirurgia busca corrigir a raiz do problema, o aumento de volume do clitóris.

Na clitoroplastia, boa parte dos corpos cavernosos (tecido esponjoso responsável pelo excesso de volume e sem função de sensibilidade) é removida.

Ao mesmo tempo, a região dorsal do clitóris, onde estão localizadas importantes estruturas vasculares e principalmente nervosas, é totalmente preservada.

Por isso, a cirurgia de redução do clitóris exige conhecimento técnico e anatômico muito específico. E raríssimos médicos têm formação e experiência com a técnica.


Preservar a sensibilidade é parte fundamental da cirurgia

A clitoroplastia é um procedimento altamente específico justamente porque atua em uma estrutura diretamente relacionada à sexualidade.

A redução do volume precisa acontecer preservando estruturas importantes para a sensibilidade e para a função sexual.

Essa especificidade ajuda a explicar por que a clitoroplastia é realizada por um número restrito de profissionais e não faz parte do treinamento rotineiro da maioria dos ginecologistas.

Em junho de 2026, palestrei novamente no maior congresso internacional de uroginecologia, da International Urogynecological Association (IUGA), apresentando minha experiência avançada com cirurgias íntimas. Um dos 5 trabalhos científicos que apresentei nessa edição do congresso era especificamente sobre a técnica de clitoroplastia.

Além da prática clínica há mais de uma década nessa área, minha atuação também reúne pesquisas, publicações científicas, apresentações em congressos mundiais, prêmios de primeiro lugar em congressos internacionais e treinamento de centenas de médicos brasileiros nas técnicas de cirurgias íntimas femininas.


Clitoropexia, clitoroplastia e capuzplastia são procedimentos diferentes

Outra confusão comum é acreditar que todas as cirurgias realizadas ao redor do clitóris tratam o mesmo problema. Mas são bem diferentes.

A clitoropexia simplesmente tenta reposicionar o clitóris hipertrófico.

A clitoroplastia resolve definitivamente o aumento do órgão.

Já a capuzplastia (ou redução do capuz do clitóris) remove o excesso de pele que recobre o clitóris. Ela não reduz o corpo do clitóris propriamente dito, é muito mais comum e quase sempre é realizada em associação à ninfoplastia (ou labioplastia) para reduzir a pele em excesso nesta região.

São estruturas diferentes e, portanto, procedimentos com objetivos diferentes.

Para mim, essa diferenciação é fundamental para que a paciente compreenda o que realmente precisa ser tratado.

Quando existe hipertrofia clitoriana, simplesmente reposicionar e esconder o clitóris não elimina o excesso de volume. O órgão continua hipertrofiado, o resultado estético é insatisfatório e existe ainda o risco de dor durante a excitação e perda da fixação.

São procedimentos diferentes com indicações distintas. Em uma cirurgia que impacta diretamente a sexualidade, a autoestima e a qualidade de vida, experiência e domínio anatômico fazem muita diferença para corrigir o aumento de volume sem comprometer as estruturas responsáveis pela função sexual.

Buscar Artigo


MAIS ARTIGOS EM Perineoplastia

+ Perineoplastia
HPV na mulher: saiba tudo sobre a infecção

HPV na mulher: saiba tudo sobre a infecção

A infecção pelo HPV é extremamente comum e na maioria das vezes não há necessidade de preocupação apenas acompanhamento médico Em muitos casos a infecção será eliminada espontaneamente do organismo

Saiba mais
Subir