
O uso de hormônios para reposição hormonal ou em estratégias voltadas ao ganho de massa magra e melhora da composição corporal pode provocar uma alteração íntima ainda pouco conhecida por muitas mulheres: o aumento do clitóris, também chamado de hipertrofia clitoriana.
A mudança pode gerar desconforto físico, constrangimento, impacto na autoestima e incômodo durante a vida sexual. Mesmo assim, a maioria das mulheres desconhece que existe uma cirurgia específica para corrigir essa alteração, com excelentes resultados e sem interferir na sensibilidade da região: a clitoroplastia.
O crescimento ocorre principalmente após a exposição a hormônios androgênicos, tais como: testosterona, gestrinona, oxandrolona, estanozolol, nandrolona, metenolona etc.
O clitóris responde à ação desses hormônios, na região dos seus corpos cavernosos, aumentando de volume.
Para algumas mulheres, a alteração começa de maneira discreta e se torna mais perceptível ao longo do tempo. Para outras, o efeito pode ser rápido, quase imediato após o uso desses hormônios.
O aumento do clitóris fica ainda mais evidente durante a excitação sexual. Isso acontece porque os corpos cavernosos, que ficam aumentados de volume por efeito dos hormônios, recebem maior fluxo de sangue durante esse momento, sofrendo uma ereção.
Muitas mulheres chegam ao meu consultório acreditando que precisam simplesmente aceitar essa alteração como uma consequência do uso de hormônios. Elas relatam impacto na autoestima, vergonha ao usar determinadas roupas e constrangimento na vida sexual.
A hipertrofia clitoriana não representa apenas uma mudança na aparência da região íntima.
Dependendo do grau de aumento, a paciente pode perceber incômodo ao usar determinadas roupas, constrangimento e um impacto negativo em sua vida sexual e qualidade de vida.
Um dos maiores problemas é que muitas mulheres ficam constrangidas e acabam evitando falar sobre a queixa até mesmo durante consultas médicas.
Por falta de informação, algumas acreditam que precisam conviver definitivamente com o incômodo.
“O que poucas sabem é que existe uma cirurgia específica para reduzir o tamanho do clitóris, chamada de clitoroplastia.”
A clitoroplastia é a cirurgia indicada para correção do aumento do clitóris.
O procedimento diminui o excesso de volume preservando as estruturas fundamentais para a sensibilidade e para a função sexual.
Na cirurgia, parte dos corpos cavernosos (responsáveis pelo excesso de volume) é removida, enquanto a região dorsal do clitóris, onde se encontram importantes estruturas vasculares e nervosas, é totalmente preservada.
“A cirurgia do clitóris exige um conhecimento anatômico muito específico. Não se trata simplesmente de remover tecido. É preciso saber exatamente onde estão os corpos cavernosos, os vasos e, principalmente, os nervos responsáveis pela sensibilidade.”
A preservação total da sensibilidade é justamente um dos princípios fundamentais da clitoroplastia.
O objetivo do procedimento não é apenas diminuir o tamanho do clitóris, mas corrigir o excesso de volume sem comprometer as estruturas responsáveis pela função sexual.
Por isso, trata-se de uma cirurgia que exige conhecimento profundo da anatomia da região e formação específica. Essa complexidade também explica por que a clitoroplastia é realizada por um número muito restrito de profissionais no Brasil.
Tradicionalmente, a técnica esteve associada à cirurgia uropediátrica e ao tratamento de condições raras relacionadas à diferenciação sexual, como a hiperplasia adrenal congênita, que provoca o aumento do clitóris desde o nascimento.
Mais recentemente, o crescimento de casos adquiridos após exposição hormonal passou a ampliar a discussão sobre esse tipo de cirurgia.
Mesmo entre médicos que realizam cirurgias ginecológicas ou cirurgias íntimas femininas, nenhum recebe treinamento específico na técnica de clitoroplastia.
Isso acontece porque o procedimento envolve uma anatomia complexa e estruturas diretamente relacionadas à sexualidade feminina. Além de ser uma técnica cirúrgica que não faz parte da esfera da ginecologia ou da cirurgia plástica.
“A cirurgia de redução do clitóris não pode ser tratada como uma extensão simples de outras cirurgias íntimas. É um procedimento altamente específico, originalmente voltado ao tratamento de condições muito raras, e que exige formação própria, além de profundo conhecimento anatômico.”
Fui convidado a apresentar trabalho científico sobre a técnica de clitoroplastia durante o 51º congresso da International Urogynecological Association (IUGA), maior sociedade mundial de uroginecologia, em 2026.
E em 2027, serei um dos palestrantes convidados do WCD - World Congress of Dermatology, maior congresso de dermatologia do mundo - pra apresentar também minha experiência com as cirurgias íntimas femininas.
Minha atuação nessa área reúne vários anos de prática clínica, pesquisas, publicações científicas, apresentações em congressos mundiais, 2 prêmios de primeiro lugar em congressos internacionais e a capacitação de outros médicos - quase mil já passaram por treinamentos comigo.
Também é importante diferenciar a clitoroplastia de outros procedimentos realizados na região do clitóris.
Na clitoropexia, o clitóris só é reposicionado na tentativa de escondê-lo. No entanto, ele continua hipertrofiado e ainda pode aumentar de tamanho durante a excitação sexual, podendo causar desconforto e dor.
Além disso, a maioria das mulheres com hipertrofia de clitóris já tem pouca gordura na região pubiana, não sendo possível esconder o volume dele, e ainda existe o risco de os pontos soltarem e o clitóris retornar à posição anterior. Por todos esses motivos, eu definitivamente não recomendo essa técnica.
Já a capuzplastia atua sobre a pele que recobre o clitóris, chamada de capuz clitoriano. Ela não reduz o tamanho do órgão propriamente dito e deve ser realizada em associação à ninfoplastia, quando existe excesso de pele nessa região.
São procedimentos diferentes com indicações distintas.
Para mim, ampliar o acesso a informações sobre a hipertrofia clitoriana é fundamental para que mais mulheres consigam reconhecer a alteração e procurar uma avaliação especializada.
São muitas mulheres que convivem com vergonha, desconforto diário e impacto na vida sexual simplesmente por desconhecerem que existe uma possibilidade de correção.
“O objetivo é mostrar que há tratamento e que ele pode ser realizado preservando sensibilidade, função sexual e naturalidade, desde que exista indicação adequada e principalmente experiência e domínio técnico da cirurgia.”
Mulheres que perceberam crescimento do clitóris após o uso de hormônios androgênicos devem procurar avaliação médica para compreender a alteração e receber orientação individualizada sobre a abordagem adequada.
Para ter mais informações sobre a cirurgia, valores e acesso a exemplos de antes/depois, entre em contato com nossa equipe.
A infecção pelo HPV é extremamente comum e na maioria das vezes não há necessidade de preocupação apenas acompanhamento médico Em muitos casos a infecção será eliminada espontaneamente do organismo
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A clitoropexia tenta reposicionar o clitóris aumentado, mas não reduz o tecido responsável pela hipertrofia. Neste artigo, o Dr. Igor Padovesi explica por que não recomenda essa técnica, quais problemas podem ocorrer e qual é a diferença para a clitoroplastia.
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