
A tadalafila pertence à classe dos inibidores da fosfodiesterase tipo 5 (PDE-5). Em termos práticos: ela promove vasodilatação e interfere na dinâmica do fluxo sanguíneo em determinados tecidos.
- Em homens, isso tem um caminho terapêutico mais estabelecido para disfunção erétil (e também há uso em outras condições específicas).
- Em mulheres, a hipótese é que possa haver aumento discreto de vascularização genital em alguns cenários — mas isso não equivale automaticamente a melhora de desejo, prazer ou satisfação.
Porque, na fisiologia feminina, “resposta genital” e “desejo” não são sinônimos. E, na vida real, saúde sexual é um ecossistema: hormônios, mucosa, dor, contexto emocional, qualidade do sono, estresse e relacionamento.
A promessa de internet costuma reduzir tudo a um botão: “tomou → melhorou”. Só que, em mulheres, o que mais derruba a sexualidade não é falta de “fluxo sanguíneo” isoladamente.
Exemplos comuns na prática clínica:
- Menopausa: alterações hormonais, ressecamento, dor, queda de libido e impacto emocional.
- Dor na relação: quando há dor, o corpo aprende a evitar (mesmo com vontade).
- Estresse crônico e cansaço: cortam desejo pela raiz, não por falta de remédio, mas por falta de sistema.
Aqui entra a régua correta: tadalafila não é protocolo universal para questões sexuais femininas.
Existem estudos avaliando tadalafila em mulheres com queixas de excitação/arousal, mas os resultados são heterogêneos e, em muitos casos, modestos — o que sustenta a posição de que não é conduta de primeira linha para “uso amplo” em mulheres.
Tradução executiva:
- Pode existir benefício em subgrupos muito específicos.
- Não dá para vender como “garantia”.
- E o que a internet mais ignora: segurança e estratégia importam mais do que “sensação pontual”.
Quando o produto vira “bala”, “gummy” e “prateleira”, você não está apenas discutindo eficácia. Você está entrando em risco sanitário.
A Anvisa proibiu a comercialização, distribuição, fabricação, manipulação, propaganda e uso de lotes do produto “Metbala”, por falta de regularização e por a empresa não possuir autorização para fabricar medicamentos — e reforçou que tadalafila é medicamento sujeito à prescrição.
Isso muda o jogo: aqui o risco não é só “efeito colateral”. É origem, dose, qualidade, procedência e responsabilidade.
Efeitos adversos possíveis incluem cefaleia, dispepsia/indigestão, rubor, dor nas costas, mialgia e congestão nasal, entre outros.
O risco “estratégico” é outro: uso repetido sem avaliação = falta de diagnóstico + repetição + falsa segurança.
E há interações que não são negociáveis:
> Nitratos + tadalafila é uma combinação contraindicada, porque pode potencializar queda de pressão arterial.
> Cautela com outros medicamentos que também reduzem pressão e com algumas interações metabólicas (CYP3A4).
Observação importante: algumas apresentações comerciais para disfunção erétil/HPB trazem “uso não indicado para mulheres” na bula. Isso não apaga o fato de existir tadalafila com indicação em condições específicas (ex.: hipertensão arterial pulmonar), inclusive em mulheres — o ponto é: indicação depende de contexto clínico.
Na menopausa, o corpo muda de fase — e o que funciona é estratégia, não impulso.
Em vez de apostar em atalhos, o raciocínio de ginecologia moderna é:
- entender se há síndrome geniturinária da menopausa, dor, ressecamento, queda de libido, impacto emocional;
- construir um plano com terapias e medidas com melhor previsibilidade;
- acompanhar resposta e ajustar.
Esse é o tipo de cuidado que sustenta resultado — sem prometer “milagre”, mas entregando consistência.
A internet vende “controle rápido”. A medicina entrega controle responsável. Tadalafila pode até aparecer como possibilidade em cenários específicos, mas não é — e não deve ser — tratada como “solução universal” para mulheres. O caminho mais curto para resultado real continua sendo o mais profissional: avaliação, diagnóstico e plano.
Para ler a notícia original no UOL, veja a matéria aqui.
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